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Hoje estava um tópico quente em FIXED GEAR BRASIL no facebook, sobre usar ou não quadros de caloi 10 ou monark 10 para fixed gear, tendo em vista que temos bastante quadros próprios para fixed gear no mercado.

Um user fez um comentário bastante interessante e me chamou a atenção:

“Apesar do tópico polêmico e tantas respostas, poucas (ou nenhuma) usaram argumentos técnicos e econômicos pra basear respostas ou justificar a argumentação da C10 “parecer” ter um bom custo benefício.

Primeiro acho que teria que estabelecer um critério de utilização: pra pista acho que ficariam mais relevantes as desvantages de uma c10 convertida. Agora no asfalto de todo dia as coisas ficam bem menos claras.

Em questão de geometria a grande diferença da C10 pra quadros específicos pra fixed é a redução do entre-eixos, com diversas técnicas, e o propósito básico disso é aumentar a rigidez torsional do quadro, e uma redução de peso minima é consequencia. Outros jeitos de aumentar a rigidez torsional incluem a troca por materiais mais leves que permitem utilizar perfis de tubo com maior momento de inércia sem aumentar o peso (vide aluminio e carbono).

Em compensação a bike mais compacta fica mais impactante no conforto pra pedaladas mais longa, lembrando sempre que conforto é subjetivo.

Em questão de material e solda, quando comparado o aço de baixo carbono dos quadros antigos e os cro-moly (5130) mais novos vemos que o módulo de elasticidade do aço é basicamente o mesmo (205 GPa), então quadros com o mesmo diâmetro de tubo terão uma rigidez muito parecida (e por muito parecida entendam igual). Claro que pela diferença da tensão de escoamento dos dois aços o de cro-moly terá uma parede mais fina e será mais leve.

Mas pra quem carrega uma U-Lock de kilo e meio pra travar a bike esse argumento de peso pro dia a dia vai pro saco.

A gancheira semi-horizontal, com um conjunto de roda bem montado, não apresenta real desvantagem. Se a roda está tendo movimentação por conta do torque de frenagem via pedivela na fixa é porque sua bike foi mal montada.

A questão da solda TIG vs Lug com brazing é irrelevante. Fabricantes modernos optam por uma ou outra a depender da categoria ($$$) da bike e se é estritamente para performance ou fins de estética.

Agora é indiscutivel o fato de ter quadro de C10 a 50 conto em qualquer muquifo por aí. Em qualquer grande capital você jateia/granalha o quadro e faz uma pintura eletrostática por menos de 50 reais. Daqui sai a diferença econômica. Componentes iguais podem ser usados independente do quadro.

Agora a única real desvantagem que eu vejo em uma C10 convertida com garfo original (que eu uso faz data) é a falta de disponibilidade de pneus de qualidade comparado com os 700C, e pra usar 700C na caloi tem de gastar uma graninha com garfo/freio, mas não é impossivel.”

Parabéns pelas afirmações e pelo conhecimento técnico, Felipe Frango!

Agora gostaria de acrescentar MINHAS considerações:

EU sou louco por quadros lugged (brasados, estilo vintage), e NÃO HÁ nenhum quadro cachimbado, com design e geometria clássica, confortável (graças as longas distâncias entre centros com seu garfo e aros 27) e com tanta história como a caloi 10, e ainda mais pelos preços atuais (R$50~100). Acho muito digno comprar um quadro que leva a história do ciclismo nacional e fixá-lo para uso diário, antes que vire sucata em ferro velho. E SIM, se o quadro estiver conservado (sem empenamentos, desempenamentos, oxidação) ele aguenta muito bem o tranco.

Concordo que o preço de um quadro caloi 10 bem reformado, sai a 60% ou até 100% do preço de um quadro de entrada Fixed/SS, e as intenções de cada um devem ser levadas em conta.

Vale lembrar, que só abri mão dos meus quadros monark e caloi para comprar um quadro antigo, italiano e lugged. E que quadros NOVOS de cromoly, lugged, feitos à mão são bem caros e difíceis de comprar por aqui.

Concordo plenamente, também, que os novos quadros (Demonia, Roots, United Peloton, Airwalk, etc) disponíveis para fixed/SS são uma ótima opção para quem está começando ou precisa de uma bike para o dia-a-dia, visto que têm uma geometria de pista, central mais alta e bastante reforço com suas soldas TIG… porém também são pesados e enferrujarão se não houver cuidado no uso. Quem sabe daqui a 30 anos poderemos compará-los.

Abaixo uma caloi 10, estilo pista, de encher os olhos:

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Caloi 10 transformada em pista, de Tiago Mendonça, por Adalberto de Bastiani.

valeu rapazeada, boas pedaladas.

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